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Ambra Marques
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poesia

[sem título]

eu me privo, padeço e desapareçoporque não me sinto digna de escrever-te.

passei a ser uma alma sem luz a guiar

como um frasco de vidro trincado e perdidono meio de um deserto sem lei.

sem deus. sem adeus.

vazando o tempo e o sangue

que eu mesma vendi.

e me observo a evaporar na areia tórridae cristalina do deserto

me afundando movediça, sem forças pr’eu voltar a ser como era antes.

me asfixiando com cada amassar de um grãoque só se multiplica e multiplica, infinitas vezes.

amarguradamente incessante e sem misericórdia.

você não vê, mas ainda continuo ali,

sangrando por toda a eternidade.

porque foi além destas lágrimas

que me deixei derramar.

agora, acovardada, zarpo,à beira de um abismo.

mesmo que esse tempo irrealfaça com que eu aos poucos

desapareça

como uma ampulheta no deserto.