poesia
segredos dourados
rasgo o contrato, ímpar
rastejando no chão, procuro vestígios no sangue de como possuir a próxima vítima
unhas arrancadas pela fúria ao tentar abrir a tampa desse esgoto sórdido e maculado
l embaixo tem um baú repleto de ouro e uma coroa com o meu nome ao lado
e um papel escrito com o nome de outras pessoas e seus aniversários
nenhum propósito ritualístico além de números que algum dia achei que eu pudesse fazer uma boa ação ao lembrar e
talvez o faça
mas os números viraram confusões matemáticas.
“17 de janeiro, 1 e 7…”
1, a origem
as 7 maravilhas do mundo
as 7 cores do arco-íris
as 7 chaves de Salomão
as 7 leis herméticas
os 7 pecados capitais
os 7 chakras
os 7 dias da criação
2 + 5 = 7
o sentido da vida.
12 de novembro, o meu aniversário
1, a origem (eu)
2, a dualidade (te)
1 + 2 = a trindade (amo)
a resposta.
e nos versos das minhas linhas mutiladas
vejo somente cortes sem reparo
e lá dentro da carne eu finco o que sinto
manipulando luz e extraindo pra fora palavras encharcadas de —
“você é muito importante para mim”.
me sufocando num mar de sentimentos
essa besta ainda se arrasta aqui dentro
feia e assustadora aos olhos desatentos
talvez eu devesse deixar esse baú de lado
por um tempo.