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Ambra Marques

poesia

segredos dourados

rasgo o contrato, ímpar

rastejando no chão, procuro vestígios no sangue de como possuir a próxima vítima

unhas arrancadas pela fúria ao tentar abrir a tampa desse esgoto sórdido e maculado

l embaixo tem um baú repleto de ouro e uma coroa com o meu nome ao lado

e um papel escrito com o nome de outras pessoas e seus aniversários

nenhum propósito ritualístico além de números que algum dia achei que eu pudesse fazer uma boa ação ao lembrar e

talvez o faça

mas os números viraram confusões matemáticas.

“17 de janeiro, 1 e 7…”

1, a origem

as 7 maravilhas do mundo

as 7 cores do arco-íris

as 7 chaves de Salomão

as 7 leis herméticas

os 7 pecados capitais

os 7 chakras

os 7 dias da criação

2 + 5 = 7

o sentido da vida.

12 de novembro, o meu aniversário

1, a origem (eu)

2, a dualidade (te)

1 + 2 = a trindade (amo)

a resposta.

e nos versos das minhas linhas mutiladas

vejo somente cortes sem reparo

e lá dentro da carne eu finco o que sinto

manipulando luz e extraindo pra fora palavras encharcadas de —

“você é muito importante para mim”.

me sufocando num mar de sentimentos

essa besta ainda se arrasta aqui dentro

feia e assustadora aos olhos desatentos

talvez eu devesse deixar esse baú de lado

por um tempo.