poesia
quando tudo parece estar bem
cansada daquilo que me fez acreditarnessa insuficiênciade ser,que me foi depositadoque nem mácula.
como uma sinaque me curva turva,pois sou lenta demaispara perceber o rubor derramando entre as frestas dessa parede emadeirada.
desgraçada
em me manter adaptada,mesmo com esse gélidoolhar...
e essa insistência em pensarque é uma praga corrompidae que daqui em diantelogo vai esfriar
por ter tido a alma sugadaque de tão fracaenfraquecea única coisa real que se deita por cima protegendo o precioso e o abominável.
não aquela quimera ceifadaem frações nas profundezasneurastênicas e desgastantesdo teu universo.
que se põe em cada falaem cada atoem cada gesto
assinandoaos poucoso infactível.
depois das 17h, o sol se põe,e, à noite, tudo vira cinzase se esvai miúdo e acanhadono escuro.
é bom te ter de volta.