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Ambra Marques
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poesia

quando tudo parece estar bem

cansada daquilo que me fez acreditarnessa insuficiênciade ser,que me foi depositadoque nem mácula.

como uma sinaque me curva turva,pois sou lenta demaispara perceber o rubor derramando entre as frestas dessa parede emadeirada.

desgraçada

em me manter adaptada,mesmo com esse gélidoolhar...

e essa insistência em pensarque é uma praga corrompidae que daqui em diantelogo vai esfriar

por ter tido a alma sugadaque de tão fracaenfraquecea única coisa real que se deita por cima protegendo o precioso e o abominável.

não aquela quimera ceifadaem frações nas profundezasneurastênicas e desgastantesdo teu universo.

que se põe em cada falaem cada atoem cada gesto

assinandoaos poucoso infactível.

depois das 17h, o sol se põe,e, à noite, tudo vira cinzase se esvai miúdo e acanhadono escuro.

é bom te ter de volta.