poesia
perdoem todas as palavras a partir daqui
sim, eu estou sendo realista sobre mim mesma,por que acha que eu me odeio tanto?
não existem mistérios aqui.
minhas mãos e essa calmadescarada,maquiavélica e maquiada queinsiste em ser uma habilidadeinerente a mim,estão manchadas.
não existe alguémque consiga fazertão mal a mimquanto eu mesma faço.
eu também não me vejo maiscomo aqueles sanguessugasque tentam sugar o mínimode carinho possível.
ou como aqueles parasitasque fazem de sua moradaum corpo morto e sem vida.
ele continua sendo aquela quimera ceifadaem frações que me entedia só de pensar em calculare eu, aquela algema que foi roubadae que nem sequer ele pensa em usar.eu ainda me prefiro assim, inútile pior que ele.
meu brilho foi ofuscadodurante estes poucos anos e,eu,não entendo por que ainda confiam em mimou na minha palavra.
quando eu digo que não existemais nada aqui,eles não acreditam e idealizamalgo que um dia já fui —permanecem cegamente ao meu lado —,mesmo que com eles eu já nem me importe mais.
esse relógio de crescimento pessoal,rodae roda,num sentido trigonométrico.porque eu já perdi o horáriohá muito tempo e não mais funciono.
estou atrasada pra vidae as portas do céue do meu destinojá não abrem mais pra mim.