poesia
Ouroboros
e ele caiu inoportuno na matéria orgânica, assumindo o posto destes corpos
pesando em densidade correspondente
operando na ponta da língua sons estridentes e arbitrários
“esvazie-se e verá quem lidera”.
perdidas, serão minhas versões nessa lacuna
sedentas, serão as cobiças pelo Sol
e intensas as expansões dos dois polos.
a angústia devorando raios solares em desespero, enquanto a escuridão cumpre suas profecias.
guerras serão decretadas obrigando a busca por um lado. sem inimigos ou aliados.
trincheiras, serão as entrelinhas destes fatos.
perdidos, serão os véus de Maya nesses danos.
o protagonista repousa asfixiado entre os panos.
fendas em leito são criadas das renúncias de outrora
que, por espasmos, se fez em deleite ao nada.
a única constante é o eterno retorno em que rastejo
como serpente ascendente, despindo minha pele em camadas.