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Ambra Marques

poesia

Ouroboros

e ele caiu inoportuno na matéria orgânica, assumindo o posto destes corpos

pesando em densidade correspondente

operando na ponta da língua sons estridentes e arbitrários

“esvazie-se e verá quem lidera”.

perdidas, serão minhas versões nessa lacuna

sedentas, serão as cobiças pelo Sol

e intensas as expansões dos dois polos.

a angústia devorando raios solares em desespero, enquanto a escuridão cumpre suas profecias.

guerras serão decretadas obrigando a busca por um lado. sem inimigos ou aliados.

trincheiras, serão as entrelinhas destes fatos.

perdidos, serão os véus de Maya nesses danos.

o protagonista repousa asfixiado entre os panos.

fendas em leito são criadas das renúncias de outrora

que, por espasmos, se fez em deleite ao nada.

a única constante é o eterno retorno em que rastejo

como serpente ascendente, despindo minha pele em camadas.