poesia
o plano B
se meu peito dói, é físico.eles não entendem da necessidade que tenho de sentir, sem posse.
não conseguem se desprender das overdoses estagnadas
sem o conceito essencial
sem ligações sem sinal
sem a base vertebral
e eu aqui, querendo que os corpos não desabem ou se desfaçam entre os dedos.
onde não há vida não há sossegonesse meu eu desprendidoque não sei por onde me apego.
das desnecessárias vírgulasque não me nego a negaronde nada tem nexona vista da visão deles.
é preciso de um empurrãozinho pra familiarizar, mas não tenho por onde empurrar.
eu temo falar porque nada acontece.a honestidade é alvo de críticaspensam que é só uma forma de vitimização.
e se da fúria aos gritos desabafadostento reanimar o desânimo dos animadoseles mal vão se lembrarou vai ser simplesmenteum mal lembrado.
não preciso de uma tocapra me esconderdo que não me toca.
eu não vou pisar em entradassem portasse o que dificilmente entranão mais importa.
é, eles vão pelo caminho mais fácil não desafiam labirintos nem querem deixar rastrose esses mesmos rastros são apagados facilmente da areia nas primeiras crises de pânico.
se soubessem que meu labirinto pulsa flamejantetalvez já haveria um restante de linhas retas possíveis de entrosar,mas tudo o que encontro são labirintos incompletos sem um ponto de chegada.
— tudo bem, vamos passar pro próximo plano.
como passar pro plano B?
como chegar no maldito próximo plano e orar para que “seja eterno enquanto dure”?
mas eles se vão.
tudo passa.
tudo se esvai.
e, então, me enrosconos lençóis túrbidos daquida minha camada minha casa.
busco pelos corredores da madrugadaos arredores que me fixo em olhartentando encontrar uma resposta.
eu não preciso de ninguém aqui, mas preciso fugir urgentemente.
preciso ultrapassar os limites das fronteiras em refrigério da alma, enquanto não há mistérios que cinjam a minha ascensão.
xícara de chá gelado, camomila e passiflora vendo além dos edifíciose já consigo sentir o sopro dos ventos sussurrando através dos meus cabelos.
o frescor da madrugada me consola mais do que o ardor dos contingentes corpos alheios, mesmo que no tato dum corpo morto o gelado ainda me doa.
“por favor”, me peço, entenda.
se minh’alma é boanão é certo continuarpresa ao corpo.