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Ambra Marques
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poesia

o Norte está acima

e é como aquela dose lisérgicaque me faz atingir a 7ª dimensão às 4 da manhã, me tornando uma só com o Universo.

onde descubro que o propósito da vida é o amor.

onde na ponta do pé ando a espreitarquase que levitante, o “te trazer para si”.

convocando em direção ao norte do espiral de Fibonacci àquele que se localiza logo acima —, lá no Norte.

onde finalmente consigo sentir a infinitudedo meu vácuo cósmico se transmutando empura consciência.

onde o eu e o você são dissolvidos em Um, quando o ego não mais existe.

onde nada mais importa além dessa unificação.

mas vejo o medo te afastando daquilo que acredita ser desconhecido.

te sinto se separando do meu corpocomo uma concha se despedindoda outra metade,perdendo a preciosa pérolaque logo, logo vai ser usadacomo mercadoria.

essas aves parecem estar gritando em desespero, consegue ouvir?

e até então essa divisão matemática que te deixa tão confuso e acuado de mim —ao ler as numerações exatas da lisergia correlata —,não te faze perceber que se trata só de uma metáfora.

e que aquilo que a gente precisaestá exatamente na nossa frente,no presente momento da nossa existência.

nem passado, nem futuro,somente a longa e eterna presença

viajando anos-luz ao norte —, cujo Norte é você —

implorando para que assimcomo uma estrela polar,você não me deixe morrer.