poesia
o Norte está acima
e é como aquela dose lisérgicaque me faz atingir a 7ª dimensão às 4 da manhã, me tornando uma só com o Universo.
onde descubro que o propósito da vida é o amor.
onde na ponta do pé ando a espreitarquase que levitante, o “te trazer para si”.
convocando em direção ao norte do espiral de Fibonacci — àquele que se localiza logo acima —, lá no Norte.
onde finalmente consigo sentir a infinitudedo meu vácuo cósmico se transmutando empura consciência.
onde o eu e o você são dissolvidos em Um, quando o ego não mais existe.
onde nada mais importa além dessa unificação.
mas vejo o medo te afastando daquilo que acredita ser desconhecido.
te sinto se separando do meu corpocomo uma concha se despedindoda outra metade,perdendo a preciosa pérolaque logo, logo vai ser usadacomo mercadoria.
essas aves parecem estar gritando em desespero, consegue ouvir?
e até então essa divisão matemática que te deixa tão confuso e acuado de mim —ao ler as numerações exatas da lisergia correlata —,não te faze perceber que se trata só de uma metáfora.
e que aquilo que a gente precisaestá exatamente na nossa frente,no presente momento da nossa existência.
nem passado, nem futuro,somente a longa e eterna presença
viajando anos-luz ao norte —, cujo Norte é você —
implorando para que assimcomo uma estrela polar,você não me deixe morrer.