poesia
o meu contraponto é um homem frio
ele entende o meu ponto.
um ponto falso e desentendido.
porque sempre coloco as minhas emoções fronteiriças
a um só indivíduo.
que nem de ser se faz, pelo dever de me entender
como se eu estivesse distante de qualquer entendimento.
mas entender não é dever.
é só um ponto subentendido.
falso. desprendido.
aos poucos sucumbidos por contrapontos indefinidos
e o meu eu aqui, correndo atrás, desprevenido.
no aguardo de uma mera afeição ilusória
e se eu o questionar, já é outra estóriamasnão que eu o questione.
o meu medo é maior e ainda não tem nome.
já chorei quando anoitece na frieza que entristece.
já chorei por ter clareza na fissura da incerteza.
e mesmo assim
abandono as minhas forças sobre a mesa.
forças que me fitam, tristes
enquanto escrevo poesias
como se me fortalecesse.
mas é só o que me deixa menos doente
na vista dos que jazem ausentes.
e, no fim, eu que sou a culpada disso tudo.
eu que tenho que lutar contra os meus sumiços e me esforçar.
mas se eu continuar erguendo uma amizade sozinha
não vai ser novidade
quando desabar.