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Ambra Marques
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poesia

o meu contraponto é um homem frio

ele entende o meu ponto.

um ponto falso e desentendido.

porque sempre coloco as minhas emoções fronteiriças

a um só indivíduo.

que nem de ser se faz, pelo dever de me entender

como se eu estivesse distante de qualquer entendimento.

mas entender não é dever.

é só um ponto subentendido.

falso. desprendido.

aos poucos sucumbidos por contrapontos indefinidos

e o meu eu aqui, correndo atrás, desprevenido.

no aguardo de uma mera afeição ilusória

e se eu o questionar, já é outra estóriamasnão que eu o questione.

o meu medo é maior e ainda não tem nome.

já chorei quando anoitece na frieza que entristece.

já chorei por ter clareza na fissura da incerteza.

e mesmo assim

abandono as minhas forças sobre a mesa.

forças que me fitam, tristes

enquanto escrevo poesias

como se me fortalecesse.

mas é só o que me deixa menos doente

na vista dos que jazem ausentes.

e, no fim, eu que sou a culpada disso tudo.

eu que tenho que lutar contra os meus sumiços e me esforçar.

mas se eu continuar erguendo uma amizade sozinha

não vai ser novidade

quando desabar.