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Ambra Marques
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poesia

o alimento dos deuses

assim, como um rato sujovou me esgueirando entreos hiatos alheiosnão era como a toca do coelhoque eu almejava alcançar eram como esgotos vazios sórdidos e pútridos que meus pelos rastejavam pelos verbos lameados dicotômicos e insalubres que eu arranhava com um certo apreço.o desespero desespera a dorde amar o amor

de qualquer formade qualquer jeitoem qualquer leito

e então, com estes olhos cegamente vermelhoseu farejavainebriadas escamas abissais em busca de algo...

ludibriada pelo canto da sereia,me vi rodeada de predadoresnuma armadilha forjadavampirizada e amaldiçoada a vender a minha almaaos falsos deuses que pela vulnerabilidade euinsistia em me converter.

e Eles me disseram,

“só seja submissa, nem hedonista,nem Eros

mas se só tenho o seu amor em troca do seu prazer

o que mais eu poderia ser?