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Ambra Marques

poesia

miragem

em qual momento realmente fui uma ameaça ou uma vítima, se todo o cenário que vejo é indicativo de que sou vítima de mim mesma?

até quando me arrancaram a pureza, as cores e o brilho que aqui dentro existiam

e que me faziam viva,

foi como um julgamento pegajoso de que tudo seria a culpa deles e

do porquê de eu ser assim.

mas até minhas reações me pareciam fugir de algo manipulado pelo ambiente

e até no momento que eu não lembro de ter decidido não reagir aos pensamentos e situações que me acometinham, no fundo sabia que poderia

e que

com culpa, sentiria, não é a minha culpa,

mas sem culpa, sinto, é tudo minha culpa.

são milhões aqui dentro:

a vítima e a ameaça

a luz da morte e a desgraça

a liberdade e o véu

assim na terra como no céu

por um caso, sem acaso

eu me pergunto: “quem sou eu?”

“meu nome é Legião, porque somos muitos”,

perdendo tudo o que era meu.

riram de mim através dos meus olhos, esvaíram-se em mim numa longa miragem.

o espelho agora refletido como um silêncio pacífico e irreparável de uma pergunta sem resposta.

viajando internamente de encontro com –

“Deus, arder no fogo e no Sol

não me foi suficiente?

pois ainda me sinto frágil como um vidro

tenho que ter muito cuidado comigo

das coisas que penso, que falo

e que sinto…

a dor aqui já está no limite há algum tempo por tudo o que aconteceu”, falei.

“então caminho de forma cautelosa no campo minado da minha cabeça”.

e Ele respondeu:

“são esses mesmos ruídos que vagam vagarosamente em sua mente, dizendo:

‘sua manipuladora’,

ao próprio alvo que se manipula e estipula

de que Eu sou isso,

em desserviço a esse corpo que te prende e

me apreende dentro de ti”.