poesia
miragem
em qual momento realmente fui uma ameaça ou uma vítima, se todo o cenário que vejo é indicativo de que sou vítima de mim mesma?
até quando me arrancaram a pureza, as cores e o brilho que aqui dentro existiam
e que me faziam viva,
foi como um julgamento pegajoso de que tudo seria a culpa deles e
do porquê de eu ser assim.
mas até minhas reações me pareciam fugir de algo manipulado pelo ambiente
e até no momento que eu não lembro de ter decidido não reagir aos pensamentos e situações que me acometinham, no fundo sabia que poderia
e que
com culpa, sentiria, não é a minha culpa,
mas sem culpa, sinto, é tudo minha culpa.
são milhões aqui dentro:
a vítima e a ameaça
a luz da morte e a desgraça
a liberdade e o véu
assim na terra como no céu
por um caso, sem acaso
eu me pergunto: “quem sou eu?”
“meu nome é Legião, porque somos muitos”,
perdendo tudo o que era meu.
riram de mim através dos meus olhos, esvaíram-se em mim numa longa miragem.
o espelho agora refletido como um silêncio pacífico e irreparável de uma pergunta sem resposta.
viajando internamente de encontro com –
“Deus, arder no fogo e no Sol
não me foi suficiente?
pois ainda me sinto frágil como um vidro
tenho que ter muito cuidado comigo
das coisas que penso, que falo
e que sinto…
a dor aqui já está no limite há algum tempo por tudo o que aconteceu”, falei.
“então caminho de forma cautelosa no campo minado da minha cabeça”.
e Ele respondeu:
“são esses mesmos ruídos que vagam vagarosamente em sua mente, dizendo:
‘sua manipuladora’,
ao próprio alvo que se manipula e estipula
de que Eu sou isso,
em desserviço a esse corpo que te prende e
me apreende dentro de ti”.