prosa poética
meu oceano causal e cotidiano
sonhei com um tsunami, o mar querendo me levar consigo, sabendo que assim como tudo eu também sou impermanente —
corpo que envelhece justamente enquanto se renova, pele que se desfaz para continuar sendo pele
repousando sobre o berçário das águas pois é sonhando que gesto o que ainda não nasceu
cada milissegundo que respiro morrendo incontáveis vezes, e de cada morte nascendo mundos.
ser água por inteira, dilúvios atravessando célula por célula, lembrando o que o corpo não consegue esquecer —
o mar sabe de cor o caminho de volta para casa.
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