poesia
infinitas impossibilidades
são múltiplas as faces que guardo na manga.escolha uma, enquanto ninguém eu visto.
não invisto nas imposições gregáriasque rasgam pálidas como papel,sem cor, sem céu
sequer o troféu ordinário que possuo,empalhado, ermo e infértilna estante do falo e do tempo –o dente virando a carnee eu, raposa de nove camadas,arisca, estrangeira e depravada,le feu follet dos ventos.
a máscara me olha,sorrindo, e faz moradanum vão da janela,da lenha, da palha
invadiu hiatosembebedou-se das paredes da casadepois vomitou-me calabouçossujando meus sapatos.
sou filha da água,oceanos matam a sede de mimalgumas vezes ao dia.ouço — queimem os navios!não atrapalho meu naufrágio.
meus braços, madeiraeu, porta. toc-toc –escancaro-me do avessono meu próprio Âmbar.
na fresta mais tímida,as faces do ventoespiam-me de voltada sala de estar.
do horizonte que sou,eu o pego, teçoe enlaço, vermelho,num dedo mínimoe o deixo sangrar
rubras correntezas de ouro.ouroboros.
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