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Ambra Marques

poesia

infinitas impossibilidades

são múltiplas as faces que guardo na manga.escolha uma, enquanto ninguém eu visto.

não invisto nas imposições gregáriasque rasgam pálidas como papel,sem cor, sem céu

sequer o troféu ordinário que possuo,empalhado, ermo e infértilna estante do falo e do tempo –o dente virando a carnee eu, raposa de nove camadas,arisca, estrangeira e depravada,le feu follet dos ventos.

a máscara me olha,sorrindo, e faz moradanum vão da janela,da lenha, da palha

invadiu hiatosembebedou-se das paredes da casadepois vomitou-me calabouçossujando meus sapatos.

sou filha da água,oceanos matam a sede de mimalgumas vezes ao dia.ouço — queimem os navios!não atrapalho meu naufrágio.

meus braços, madeiraeu, porta. toc-toc –escancaro-me do avessono meu próprio Âmbar.

na fresta mais tímida,as faces do ventoespiam-me de voltada sala de estar.

do horizonte que sou,eu o pego, teçoe enlaço, vermelho,num dedo mínimoe o deixo sangrar

rubras correntezas de ouro.ouroboros.

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