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Ambra Marques

poesia

infinitas impossibilidades

infinitas impossibilidades

são múltiplas as faces que guardo na manga.

escolha uma, enquanto ninguém eu visto.

não invisto nas imposições gregárias

que rasgam pálidas como papel,

sem cor, sem céu

sequer o troféu ordinário que possuo,

empalhado, ermo e infértil

na estante do falo e do tempo –

o dente virando a carne

e eu, raposa de nove camadas,

arisca, estrangeira e depravada,

le feu follet dos ventos.

a máscara me olha,

sorrindo, e faz morada

num vão da janela,

da lenha, da palha

invadiu hiatos

embebedou-se das paredes da casa

depois vomitou-me calabouços

sujando meus sapatos.

sou filha da água,

oceanos matam a sede de mim

algumas vezes ao dia.

meus braços, madeira

eu, porta. toc-toc –

vejo o ouro, vejo o sol

e vejo o nada

escancaro-me.

na fresta mais íntima,

as faces do vento

espiam-me de volta

da sala de estar.

do horizonte que sou,

eu o pego, teço

e enlaço, vermelho,

num dedo mínimo

e o deixo sangrar

rubras correntezas de ouro.

ouroboros.

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Jul 23, 2026.