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Ambra Marques

poesia

in

me movo,

constantemente.

eu, inconstante

me rebato veemente

sem nenhum pudor ou consenso

consentindo

brevemente

a minha falta exterior.

eu, tão interna,inda me movo.

deslocando no inverno inverso(in)da que no inverso amargo do meu interior miocárdicoeu não me “alter(ni)”.

no inferno eu me altero

no inferno eu me rebelo

grito a deuses inexistentesque em órgãos se proliferam.

ouço adeuses proeminentesdentre os meus bolos histéricos.

mas inda me movo.

eu me movo e me movo.

não durmo; me movo de novo.

penso; me movo.

lembro; me movo.

escrevo; me movo.

choro em silêncio; me movo.

a solidão não pede socorro.

meu inverno é interno;inverno externo eu corro.

no interno, eu me enterrose não me movo, eu morro.

o depois não rima e nem tem poesia

eu me movo em inércia

e não quero saber o que acontece na ausência.

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