poesia
Gênesis
no dia em que tentei
me encontrar,
a terra era somente mar.
porém as ondas
começaram a ficar tão agitadas
pela mágoa de insuficiência que —
como num sopro de potência —,
elas quebraram próximo à costa,
fazendo-me perceber que eu era
somente uma ilha solitária.
desesperada,
busquei no mar respostas
do porquê de eu ser assim,
mas o mar estava muito escuro
para enxergar.
então, tornei-me um peixe
e mergulhei na escuridão do abismo,
onde descobri ter criado em minha volta
um oceano de ilusões.
mas eu ainda queria me encontrar,
pois eu não aceitara ser somente
um ponto em um vasto oceano.
então, me tornei um falcão
e vislumbrei, de longe,
um fragmento do que eu seria
mas ainda me faltava algo.
me transformei
na Estrela da Manhã
e vi o sol iluminando
as Cordilheiras dos Andes,
todas as ilhas,
todos os peixes,
todas as aves e
todo o resto.
finalmente entendi minha complexidade.
“meu horizonte é tão bonito e abundante,
que parece ser um desperdício”, pensei.