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Ambra Marques
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poesia

etéreo

sinto-me aquecendo aos poucosinventando teus braçosenvoltos como um ninho

teus dedos recitandocada versículo sagrado

consagrando

tépidos fragmentosdestas páginas

folheando com salivana ponta dos dedos

o meu corpo

perdoandominh’alma lasciva

e minha demasiadae inconcebíveladoração por deuses

não me aborreçonem minhas fraquezas nego

prossigo e me curvo de joelhosporque é para ti que eu rezo

quão etéreo, cândidoe deleitososerão tuas bençãos.