poesia
espinho
minhas costas nuasse contorcem para frentesentada sobre a cama.
mais um novo dia notívago e deplorável que vem como um peso que me funde do sólido às mais notórias desistências; num impacto factual.
um pacto de cárcere que já se vê em vísceras.
não me lembro de quantas coisas foram perdidas nesse passar de tempos e de anos.
quantas coisas me afundaram e me restringiram de respirar.
não me lembro de quantas letrasnomes e pronomes, desconcertadoseu deixei elevar num tudo tão uniliteral.
é só mais um motivo pra eu não me lembrar.
eu me agarro aos espinhos, culpando as farpase, como se não bastasse, eu desconto a minha raiva nas rosas.
porque eu tenho um espinho fincado no peitoe a retirada é dolorosa e vazia.as ondas escorreriam junto à cachoeira dos meus olhose eu não conseguiria me suster na correnteza.
eu amo o espinho e não sei qual seria o meu fim sem ele,porque sinto medo,posso me afogar.
mas estar com o espinhoé como estar nas profundezas do oceano e mesmo assim poder respirar,mesmo não respirando.
meu espinho é o cais que me abriga.
se pulo, morrose mergulho, tu cais
mas não sou capaz de te mergulhar.
e nem sei o que eu seriase não tivesse o que fincar.
mas talvez um dia
eu me finde.