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Ambra Marques
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poesia

espinho

minhas costas nuasse contorcem para frentesentada sobre a cama.

mais um novo dia notívago e deplorável que vem como um peso que me funde do sólido às mais notórias desistências; num impacto factual.

um pacto de cárcere que já se vê em vísceras.

não me lembro de quantas coisas foram perdidas nesse passar de tempos e de anos.

quantas coisas me afundaram e me restringiram de respirar.

não me lembro de quantas letrasnomes e pronomes, desconcertadoseu deixei elevar num tudo tão uniliteral.

é só mais um motivo pra eu não me lembrar.

eu me agarro aos espinhos, culpando as farpase, como se não bastasse, eu desconto a minha raiva nas rosas.

porque eu tenho um espinho fincado no peitoe a retirada é dolorosa e vazia.as ondas escorreriam junto à cachoeira dos meus olhose eu não conseguiria me suster na correnteza.

eu amo o espinho e não sei qual seria o meu fim sem ele,porque sinto medo,posso me afogar.

mas estar com o espinhoé como estar nas profundezas do oceano e mesmo assim poder respirar,mesmo não respirando.

meu espinho é o cais que me abriga.

se pulo, morrose mergulho, tu cais

mas não sou capaz de te mergulhar.

e nem sei o que eu seriase não tivesse o que fincar.

mas talvez um dia

eu me finde.