poesia
ênfase ao descarte
deslocando os pés a passos largoseu corria para atender ao interfone.hoje temo ouvir sua voz outra vez,como se eu fosse aquiescer uma nova atrição na qual eu juro me enganar.
agarrei teu presente que eu tinha comprado e o embrulhei,colando mais algumas fitas de durex pra me certificar de que a embalagem estava visualmente agradável pra você.
sem querer me embrulhei junto a todas as inseguranças que me acometiam e me vi inerte.
desculpa se eu não te dei o presente, eu não senti como se você se importasse.
há quanto tempo eu não te via aqui comigo. sorrindo.
há quanto tempo eu não ouvia o som de outras vozes. falando.
vozes que, como uma música, sobressaíam a cada nota.
teus Dós que me induziam a cada som enquanto tu me fazias Sol .e era no Lá que eu me viciava ao seu lado.
pra quem vou contar meus segredos incógnitos jamais revelados?pra quem vou contar os porquês que não sejam você? aquilo você se fez ser?
você sepultava minhas lágrimas porque me sentia,e num sono, abraçada, esperava eu me acalmar.
garota, como eu te amoeu te odeioeu te amo
Onde você está?
em outras paredes
em outros lugares
em outras palavras
em outros andares
noutros passatempos
enquanto o meu passatempo era te olhar adormecida pelo pouco tempo que tinha.e a inquietude que te virava de costas sobre a cama era a única coisa que me adormecia.
quais rótulos resumiriam uma janela indiscreta, onde a beleza e a superioridade intelectual é o que mais te interessa?
quais sonos te fariam despertar das coisas menos importantes?
quais sonhos te fariam lembrar do que já esqueceu?
quais sonos me fariam esquecer do que já aconteceu?
quais pesadelos poupariam esse meu eu desconexo
de que foi além da ferida que me doeu?
quais sonhosme fariam voltara sereu?