prosa
e exclusivamente o Altíssimo detém a sapiência acerca do estado mental do cômico-errante.
seguindo a manada, eles marcham
organizados em fileiras de imagens, posses, máscaras, sorrisos, objetivos, adjetivos e
sem vivacidade alguma, se vendem.
como se uma fachada requintada pudesse disfarçar a vacuidade, transigindo quiméricos pózinhos mágicos dos quais se alimentam
enquanto o valor, ironicamente, escapa até mesmo à sua própria consciência.
vendados pela ambição enquanto o ego diz o que devem fazer ou como devem agir
diante de discursos persuasivos sobre as armadilhas fantasiadas de “regalias do ter e do não sentir”, logo sendo ameaçados pelo tédio de possuir e pela escassez de zelos obstinados.
e dos medos que sentem em ceder ao mínimo de afeto, amor e importância, colidindo-se em amizades e amores líquidos “pelas circunstâncias”.
pois das virtudes perdidas e dos atos que se desumanizam durante a jornada
com minha foice os parto no meio, guiando-os em direção à abismos de paradoxos imanentes
sob olhos arrebatadores, interferindo num destino predestinado àqueles que não veem ou enxergam as conexões intrínsecas à natureza dos homens.
pois meus excessos projetam reflexos que sangram pela sensibilidade às condições iniciais — em efeito borboleta —, de diversas maneiras e formas, abatendo violentamente e sem vingança alguma.
parasitando em diferentes hospedeiros e
manipulando o absurdo e o inevitável, pois
não é pela fé que acredito nessas leis,
mas sim, por observação e experiência.
e me pego, desprevenida, rindo ao vê-los crendo firmemente no acaso raso das condições hipotéticas, rotineiras e
de seus esforços em compreender o que tô fazendo com tudo isso aqui,
na tentativa de expurgar pra fora uma lição e/ou o que sinto, cautelosamente atraindo olhares carinhosamente gentis ou de penitência (?)
logo após eu conseguir desapegar da ideia de importância e aceitar a minha própria
insignificância.
e nisso, não satiricamente, sinto uma vontade gritante em me manter em posição de lótus e de olhos fechados
observando meus risos transformarem-se em sons, piadas de mau gosto perderem a graça, formas-pensamentos tornarem-se nuvens dispersas e –
rostos e pessoas se dissiparem entre si.