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Ambra Marques

prosa

e exclusivamente o Altíssimo detém a sapiência acerca do estado mental do cômico-errante.

seguindo a manada, eles marcham

organizados em fileiras de imagens, posses, máscaras, sorrisos, objetivos, adjetivos e

sem vivacidade alguma, se vendem.

como se uma fachada requintada pudesse disfarçar a vacuidade, transigindo quiméricos pózinhos mágicos dos quais se alimentam

enquanto o valor, ironicamente, escapa até mesmo à sua própria consciência.

vendados pela ambição enquanto o ego diz o que devem fazer ou como devem agir

diante de discursos persuasivos sobre as armadilhas fantasiadas de “regalias do ter e do não sentir”, logo sendo ameaçados pelo tédio de possuir e pela escassez de zelos obstinados.

e dos medos que sentem em ceder ao mínimo de afeto, amor e importância, colidindo-se em amizades e amores líquidos “pelas circunstâncias”.

pois das virtudes perdidas e dos atos que se desumanizam durante a jornada

com minha foice os parto no meio, guiando-os em direção à abismos de paradoxos imanentes

sob olhos arrebatadores, interferindo num destino predestinado àqueles que não veem ou enxergam as conexões intrínsecas à natureza dos homens.

pois meus excessos projetam reflexos que sangram pela sensibilidade às condições iniciais — em efeito borboleta —, de diversas maneiras e formas, abatendo violentamente e sem vingança alguma.

parasitando em diferentes hospedeiros e

manipulando o absurdo e o inevitável, pois

não é pela fé que acredito nessas leis,

mas sim, por observação e experiência.

e me pego, desprevenida, rindo ao vê-los crendo firmemente no acaso raso das condições hipotéticas, rotineiras e

de seus esforços em compreender o que tô fazendo com tudo isso aqui,

na tentativa de expurgar pra fora uma lição e/ou o que sinto, cautelosamente atraindo olhares carinhosamente gentis ou de penitência (?)

logo após eu conseguir desapegar da ideia de importância e aceitar a minha própria

insignificância.

e nisso, não satiricamente, sinto uma vontade gritante em me manter em posição de lótus e de olhos fechados

observando meus risos transformarem-se em sons, piadas de mau gosto perderem a graça, formas-pensamentos tornarem-se nuvens dispersas e –

rostos e pessoas se dissiparem entre si.