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Ambra Marques

prosa poética

as pessoas são como estrelas novamente

nessas lacunas, penso que, na medida em que vou desaparecendo, os vejo sucumbindo nos intervalos de minha ausência, em cada batida — eu sou eu sou eu sou —, me pego, hipnotizada, observando estrelas morrendo a anos-luz daqui, onde meus dedos experimentam o lastro desse maço meio tragado que restou.

pois a jornada é solitária, do início ao fim, e as pessoas em que me esbarro são várias partes de mim.

só peço que façam com que meu corpo se despeça e se desfaça, como o vento que rebate no encontro dos desencontros, para que seja de natureza leve —

não como a onda de pensamentos que me afunda pelo impacto e afoga, a cingindo contra o peito meu maior terror.

cingindo com um torniquete, esse coração miserável, derramando alma sobre alma.

sangue sobre sangue.

em um sentindo mais íntimo, almejando a conexão num viés mais eu-tu e menos eu-isso, quiçá, podendo vibrar essas sinapses mais genuinamente. ora ou outra benzendo o diafragma para que provoques um ar mais sagrado, ou seja, mais presente.

íntimo tal como o útero com um desabrochar ecoante, quase que ininterrupto de uma vida.