prosa poética
as pessoas são como estrelas novamente
nessas lacunas, penso que, na medida em que vou desaparecendo, os vejo sucumbindo nos intervalos de minha ausência, em cada batida — eu sou eu sou eu sou —, me pego, hipnotizada, observando estrelas morrendo a anos-luz daqui, onde meus dedos experimentam o lastro desse maço meio tragado que restou.
pois a jornada é solitária, do início ao fim, e as pessoas em que me esbarro são várias partes de mim.
só peço que façam com que meu corpo se despeça e se desfaça, como o vento que rebate no encontro dos desencontros, para que seja de natureza leve —
não como a onda de pensamentos que me afunda pelo impacto e afoga, a cingindo contra o peito meu maior terror.
cingindo com um torniquete, esse coração miserável, derramando alma sobre alma.
sangue sobre sangue.
em um sentindo mais íntimo, almejando a conexão num viés mais eu-tu e menos eu-isso, quiçá, podendo vibrar essas sinapses mais genuinamente. ora ou outra benzendo o diafragma para que provoques um ar mais sagrado, ou seja, mais presente.
íntimo tal como o útero com um desabrochar ecoante, quase que ininterrupto de uma vida.