poesia
apatia
atravessou a minha alma erasgou no peito o trago do que seria o meu único grito ofegante.
porque essa dor me causa tão familiaridade em meus espaços inóspitos de realidade.
justificando os atos escorados num só único ponto de apoio invisível.
dedos engatilhando sem munição no que sequer existe
mirando certo no alvo errado.
juro que não consigo entender de onde vem a empatia de alguém que não sabe pedirperdão
diz que as minhas tristezas e paranoias foram todas em vãosem nenhum ato de dignidade.
se te machuca me ver assim, porque insiste em me machucar mesmo com o ácido percorrendo pelas tuas conexões neurais
na tentativa de curar essa ferida incicatrizável?
cronicamente tão irreparáveis quanto o meu próprio vazio crônico dissociável.
tuas cores só passam a existir sob efeitos químicos,
mas a química dentro de ti não fica como a bala que jaz infeccionada em mim.
pressione outra vez o gatilho e espere que essa bala atravesse o meu corpo da mesma forma que o ácido bate e vai embora;esperando que eu veja a bala como sementee espere nascer uma flor utopista e inclemente.
me espanca e diz que me ama
me beija e diz que “me veja”
me almejame matame fecha
me sufocame afaga
e me deixa.