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Ambra Marques

prosa poética

abstrato

diários incompletos estão congelados num tempo de sentimentos abissais que se encontram desfigurados ao ler, assim como são as pessoas.

como se bastassem essas pequenas linhas tortas, desfragmentadas na medida em que as escrevo;

pois foi-se o tempo em que minha mente conseguia se separar de meu entorno,

assim como a perspectiva que tenho a graça em olhar pelas tuas janelas,

tentando sufocar aquilo que tenta te matar por dentro.

sei que em algum momento quando morreres assim como eu, não sentirás a necessidade de injuriar esses teus hiatos de sentimentos

de linha em linha,

como algo profano no qual se deita como um peso que nos funde ao mais gélido inferno de Dante, que caminha de forma sorrateira em saudação e respeito a um velho amigo.

sussurros rompidos permanecem cravados nesse museu de ressentimentos que se assentam na tua epiderme, assim como os corpos dissolutos que jazem miúdos empilhados na minha.

abstrato

diários incompletos estão congelados num tempo de sentimentos abissais que se encontram desfigurados ao ler, assim como são as pessoas.

como se bastassem essas pequenas linhas tortas, desfragmentadas na medida em que as escrevo;

pois foi-se o tempo em que minha mente conseguia se separar de meu entorno,

assim como a perspectiva que tenho a graça em olhar pelas tuas janelas,

tentando sufocar aquilo que tenta te matar por dentro.

sei que em algum momento quando morreres assim como eu, não sentirás a necessidade de injuriar esses teus hiatos de sentimentos

de linha em linha,

como algo profano no qual se deita como um peso que nos funde ao mais gélido inferno de Dante, que caminha de forma sorrateira em saudação e respeito a um velho amigo.

sussurros rompidos permanecem cravados nesse museu de ressentimentos que se assentam na tua epiderme, assim como os corpos dissolutos que jazem miúdos empilhados na minha.

eu não consigo me conter em falar palavras e frases que no dia seguinte já me esqueço,

e talvez

tu as esqueças também,

postas nas paredes dessa casa abandonada nas profundezas de um pálido oceano desconhecido.

a escuridão segue alastrando-se pelos meus órgãos de forma a consumir todo sangue que sobrou,

pessoas tornando-se lembranças esquecidas,

sorrisos tornando-se formas abstratas,

e olhares tornando-se dispersos na superfície inóspita onde a carne e as sinapses já não mais habitam,

sugando tudo o que já fui e o que restou,

rendendo-se ao verdadeiro nada que sou.

Nov 29, 2024sos na superfície inóspita onde a carne e as sinapses já não mais habitam,

sugando tudo o que já fui e o que restou,

rendendo-se ao verdadeiro nada que sou.