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Ambra Marques
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poesia

100+

parei na busca o trânsito.ó trânsito que percorre em ligação de uma ponte a outratuas veiasminhas veiasem congestionamento.

ó trânsito que desconhece pelo menos por algum momento que o anseio que faltaé a vontade de estar perto.

na minha carteira uma identidadena tua identidade, os meus restos.

como os restos das minhas cicatrizes descuidadas, que, por ti, são endeusadas.

como tuas mãos amassando nas dobras de cada esquina, minhas curvas.

minhas ruas seminuas encharcadas de suor.

te ouço saindo pela porta e fico por um momento na esperança de tu voltar

mas chove aqui dentro,aqui dentro do meu quarto.

agarro a minha bike e te sigo pelas ruas escuras, esperando passar.

minhas ruas seminuas encharcadas de suor.

ó trânsito que no fim do túnel supera todas as minhas infrações que não sejam os porquês de eu amar você

e sem querer deslindar essa inexistência de razões que uma infração me trazde merecer o bem que tu me faze reconhecer que é só mais uma mania que tenho de te ter.

mas eles dizem que milhões de ações mal faladase bilhões de acertos não lembrados não mais importamporque minhas falhas ininterruptas afloram na tua epiderme a rasgose eles não entendem por que ainda sou endeusada

se tudo o que faço é estrago

se, na falta, busco sentir algo

se, na falta, busco sentir algo.

ó pobre irrequieto amaldiçoado pelo amor

me agarra pelos braços e me espanca nos espaços coléricos de convivência, porém inóspitos.

nós sabemos que ainda conseguimos viver.

ainda conseguimos inspirar e expirar o oxigênio de pulmão pra pulmão no fundo do oceano, passando de um para o outro o único gás carbônico que sobra.

sabemos que o amor não retrata os loucos em desespero.

é a calmaria após a pior parte do desespero que retrata os loucos de amor;

das horas em que acaricio os teus pelos e absorvo pelos meus poros os teus apelos e suor.

ó pobre irrequieto que me aguenta por anossustenta os meus danos me chamando de amor.

ó pobre irrequieto —dos olhos arregalados daquela noite —que me viras ofegante da voz trêmula e alquebrada,olhos ébrios pós-choro,que me deu um abraço e falou:

“quanto amor!”

por segundos eternossentindo o meu soprosem fôlego no cangotesem mais. sem dor.